Os solos e a evolução de paisagens na Serra do Espinhaço Meridional, Brasil

Autores

  • Aparecido de Penafort Abreu Filho
  • Camila Rodrigues Costa
  • Izadora Rodrigues Gomes
  • Uidemar Morais Barral
  • Abraão José Silva Viana
  • Diego Tassinari
  • Pablo Vidal-Torrado
  • Alexandre Christofaro Silva

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.5083372

Palavras-chave:

superfícies de aplainamento, topossequência de solos, evolução da paisagem, solos, Serra do Espinhaço

Resumo

A Serra do Espinhaço Meridional (SdEM) é uma cadeia de montanhas da faixa orogênica do Éon Proterozoico, cuja litologia é formada principalmente por quartzitos e filitos, que originam solos rasos e ácidos. Seu relevo compreende uma sucessão de superfícies de aplainamento, como o Chapadão do Couto, separadas por áreas dissecadas. O objetivo deste trabalho foi compreender a distribuição e caracterizar os solos de uma topossequência, para contribuir com o entendimento da evolução da paisagem do Chapadão do Couto e da SdEM. Foram encontradas evidências de que a superfície de aplainamento do Chapadão do Couto foi formada no Paleoceno/Eoceno e dissecada intermitentemente desde então, sendo os solos dos topos e encostas de suas colinas formados e erodidos ciclicamente. As depressões foram preenchidas também de maneira intermitente por sedimentos minerais. A instalação da rede de drenagem e a formação das colinas teria início no Terciário, enquanto a gênese dos solos atuais foi iniciada no Pleistoceno Tardio e no Holoceno.

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Publicado

11-10-2021

Edição

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Artigos