Avaliação Ecológica Rápida de qualidade de água no rio das Velhas

Autores

  • Marcos Callisto
  • Diego R. Macedo
  • Carlos B. M. Alves
  • André B. Golgher
  • Janaina U. Agra
  • Silvia Magalhães
  • Isabela S. Costa

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.5722097

Palavras-chave:

qualidade ecológica, qualidade de água, biodiversidade aquática, conservação de biodiversidade, bioindicadores de qualidade de água

Resumo

A bacia do Rio das Velhas vem sendo intensivamente estudada com bioindicadores de qualidade de água nas últimas duas décadas. O objetivo foi avaliar a qualidade ecológica no alto Rio das Velhas (São Bartolomeu, Ouro Preto, MG), utilizando abordagem de Avaliação Ecológica Rápida. Buscamos responder: (i) A qualidade das águas do rio das Velhas é alterada por lançamento de efluentes urbanos no Distrito de São Bartolomeu? (ii) Houve perda de qualidade de água ao longo do tempo, comparando o biomonitoramento histórico com as condições atuais? Avaliamos três sítios amostrais: P1 (referência), P2 (dentro do distrito), P3 (jusante efluentes da Estação de Tratamento). Utilizamos um Protocolo de Avaliação Rápida de Diversidade de Hábitats e Integridade de Zonas Ripárias, mensuramos parâmetros físicos, químicos e bacteriológicos na coluna d’água e calculamos o Índice de Qualidade de Água. Foram amostrados macroinvertebrados bentônicos e peixes como bioindicadores. Em comparação à média histórica, houve aumento das concentrações de N-total e P-total e redução de sólidos totais dissolvidos, turbidez e condutividade elétrica. Os bioindicadores evidenciaram perda de qualidade ambiental, redução do índice de diversidade em P2 e P3, menor percentual de sensíveis e tolerantes, maior abundância de organismos resistentes à poluição. Observamos aumento de vinte vezes nas concentrações de bactérias Escherichia coli em P2 e P3, evidenciando risco sanitário às populações ribeirinhas. Recomendamos que seja aprimorada a eficiência da Estação de Tratamento e que não sejam lançados esgotos domésticos no Rio das Velhas. Reforçamos a importância da conservação do leito natural, conservando a diversidade de habitats e mata ripária. Sugerimos a intensificação de campanhas de sensibilização ambiental, a implementação de campanhas de reflorestamento da mata ripária e a realização de um Programa de Biomonitoramento de longo prazo com atividades de Educação Ambiental e ciência cidadã com moradores, turistas, professores, jovens e crianças em fase escolar.

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Publicado

23-11-2021

Edição

Seção

Artigos