À Margem de Irapé: consequências da barragem no rio Jequitinhonha uma década após sua implantação

  • Pedro de Carvalho Costa
  • Flávia Maria Galizoni

Resumo

Este artigo buscou sintetizar o significado de um projeto desenvolvimentista para a população dos municípios atingidos pela Usina Hidrelétrica de Irapé (UHE), uma década após o início do seu funcionamento. A área alagada pela represa da UHE de Irapé atingiu sete municípios do alto curso do Rio Jequitinhonha, Nordeste de Minas Gerais, levando ao remanejamento de aproximadamente cinco mil pessoas e afetando outros milhares de habitantes das margens do lago. A longa resistência da população atingida resultou na conquista de direitos fundamentais no processo de remanejamento, mas não impediu as perdas socioeconômicas, culturais e políticas significativas ocasionadas no violento transcurso de implantação da obra; esta procurou-se legitimar pela justificativa da promoção de desenvolvimento para o vale do Jequitinhonha. A partir de metodologia qualitativa, buscou-se identificar consequências do empreendimento por meio de entrevistas com representantes de diferentes setores da sociedade. As narrativas foram analisadas e organizadas para sistematizar o complexo objeto estudado. A presença da represa alterou as relações da população com os recursos naturais, gerou frustração de diferentes segmentos sociais com relação a possibilidades de desenvolvimento, e colapso da forma de organização de vida de grupos camponeses.

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Publicado
2020-07-09
Como Citar
COSTA, Pedro de Carvalho; GALIZONI, Flávia Maria. À Margem de Irapé: consequências da barragem no rio Jequitinhonha uma década após sua implantação. Revista Espinhaço | UFVJM, [S.l.], p. 52-60, july 2020. ISSN 2317-0611. Disponível em: <http://revistaespinhaco.com/index.php/journal/article/view/291>. Acesso em: 27 oct. 2020. doi: https://doi.org/10.5281/zenodo.3937478.
Seção
Artigos