Apropriações sociais do patrimônio cultural: exclusão ou inclusão?

  • Flávio de Lemos Carsalade
  • Diomira Maria C. Pinto Faria
  • Frederico Couto Marinho
  • Larissa Garcia Pardini
  • Gracia Wanatu Babutanga

Resumo

 A preservação do patrimônio cultural no Brasil construiu sua história como instrumento de vanguarda em termos de políticas públicas e, desde sempre, utilizando o conceito de função social da propriedade, o qual só se consolidou no país a partir da Constituição de 1988. O que vemos hoje, no entanto, na área patrimonial, em alguns casos, é uma prática que pode ameaçar esta função social do bem cultural pelo excessivo zelo de retirá-lo do cotidiano e protegê-lo em redomas, como se fossem excepcionalidades extraídas do tempo presente, com compromisso apenas com o passado e o futuro. Para ilustrar e problematizar esta questão, apresentamos o caso da Praça da Estação em Belo Horizonte, na qual a discrepância entre o que é concebido pelos planejadores e o que é vivido pelos transeuntes causa fragmentações no uso da praça e dificulta a existência de uma mistura social.


 

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Publicado
2019-12-19
Como Citar
CARSALADE, Flávio de Lemos et al. Apropriações sociais do patrimônio cultural: exclusão ou inclusão?. Revista Espinhaço | UFVJM, [S.l.], p. 25-35, dec. 2019. ISSN 2317-0611. Disponível em: <http://revistaespinhaco.com/index.php/journal/article/view/272>. Acesso em: 22 sep. 2020. doi: https://doi.org/10.5281/zenodo.3583292.
Seção
Artigos